sábado, 18 de novembro de 2017

CEMITÉRIO DE SANTA TEREZA DA ALDEIA DE SANTO ANTONIO DA BOA VISTA

CEMITÉRIO DE SANTA THEREZA EM MORENO (ATUAL SOLÂNEA/PB)  
Em outros posts do blog escrevi sobre a antiga aldeia de Santo Antônio da Boa Vista, que ficava localizada onde hoje é chamada simplesmente de Aldeia, região rural de Solânea/PB, local com muitas nascentes de água e que tinha uma abundante mata atlântica (atualmente chamada Bica do Izo).
Na aldeia os missionários eram de carmelitas descalços. Como Santa Tereza d’Ávila foi a reformadora da ordem carmelita, ela inspirava esses missionários que em sua homenagem deram nome ao cemitério local – Cemitério de Santa Tereza.
Neste antigo cemitério, longe do centro da aldeia, eram enterrados não só os índios catequisados, como alguns colonizadores que viviam nas imediações.
É importante ressaltar que naquela época, quatro primeiras décadas do século XVIII – entre 1700 e 1740, ainda não existia o agrupamento populacional chamada MORENO, mas tão somente a aldeia.
Uma vez dissolvida a aldeia, com o remanejamento dos índios para a Baia da Traição, toda a extensão de terra foi sendo ocupada por diversas famílias que continuaram enterrando seus mortos no antigo cemitério.
A localização exata é difícil de dizer, sendo certo que ficava em Chã de Santa Tereza, local que fazia parte da Aldeia de Santo Antônio, e era assim chamada justamente por conta do cemitério.
Esse antigo cemitério foi desativado no final do século XIX, quando foi inaugurado o cemitério de Santo Antônio em Moreno (atual Solânea) e quase ninguém sabe de sua existência.
Não encontrei registro que os ossos tenham sido trasladados para outro lugar, o que significa que é possível ainda encontrar alguns que estão sob a terra.
O registro mais novo que encontrei de sepultamento foi de 1869, conforme comprova a imagem abaixo, de Francisca Maria da Conceição moradora na Canafístula..


MANOEL DA COSTA FARRAPO ( 1626/ 1687)- O PRIMEIRO DO NOME E SEUS DESCENDENTES

MANOEL DA COSTA FARRAPO(I)  o primeiro do nome, se casou em 13/02/1651 com ISABEL FERNANDES.
Consta no registro de casamento que ele era filho de PEDRO DA COSTA NAITERO e de ISABEL GONÇALVES, antigos moradores de São Roque, que se  casaram em 13/09/1625
Pedro, segundo Rodrigues Rodrigues, em seu livro Genealogias de Santa Marta de São Miguel, capítulo 315, de PEDRO GONÇALVES FARRAPO e de MARIA LUIZ (casados por volta de 1600).
.registro casamento Manoel da Costa Farrapo e Isabel Fernandes


O primeiro filho do casal , MANOEL DA COSTA FARRAPO  (II), foi batizado no dia primeiro de janeiro de 1652 na igreja de São Roque do Rosto do Cão em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, nos Açores, Portugal.



Ele se casou em 3/6/1674 com ANNA DE SOUZA
 registro casamento de Manoel da Costa  (Farrapo) e Anna de Souza


Dentre os filhos do casal estão DOMINGOS DA COSTA FARRAPO e MANOEL DA COSTA FARRAPO (III)
Domingos, de quem descendo, se casou em 2/7/1704 com ANNA DE (SANTIAGO) SOUZA filha de Thomé Jorge e Isabel de Souza (vide outra postagem do blog)
registro casamento DOMINGOS E ANNA


MANOEL DA COSTA FARRAPO (III) se casou em 15/08/1703 com BÁRBARA DE AGUIAR, conforme demonstra o registro abaixo 


O filho do casal BARTOLOMEU DE SOUZA  se casou, em 19/06/1740, com ISABEL MUNIZ, viúva de João de Gouveia, que foi sepultado no Hospital Real de Lisboa.



O filho do casal MANOEL DA COSTA FARRAPO (IV) nasceu em 10/11/1746. Este imigrou para o Brasil.   

registro MANOEL filho de Bartolomeu e Isabel Moniz

No Brasil, MANOEL DA COSTA FARRAPO (IV) se casou em Sobral no Ceará com ANTONIA MARIA DE JESUS, em 18/11/1773.

 continuação

Existe informação de que ele teria se casado mais de uma vez (*).

No Brasil, são muitos os descendentes dos dois irmãos DOMINGOS E MANOEL (III).

Em uma pesquisa rápida na internet li alguns artigos que diziam ser ISABEL MONIZ ou MUNIZ, mãe  de MANOEL (IV) ser filha de cristãos novos (Manoel ALVARES PINHEIRO e ISABEL GONÇALVES), daí a ascendência judaica da família. 
Como não descendo desse ramo não me interessei em pesquisar o assunto. Ademais, apesar dos Açores ter acolhido muitos judeus e cristãos novos,não me parece que era esse o caso, já que judeu  ou cristão novo não se casava aos sábados o que contraria alguns registros de casamento nesse dia da semana .
De qualquer forma, se teve algum cristão novo isso ocorreu por volta de 1550/1600 .... Faz muito tempo e já se passaram muitas gerações, o que para mim é algo de muito pouca significância.
     

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

FRANCISCO FEYO - PONTA DELGADA 1584/1634

Francisco Feyo, nascido aproximadamente em 1584,  faleceu no dia 12/06/1634 em Rosto do Cão, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, com 50 anos de idade, conforme comprova o registro abaixo da Igreja de São Roque do Rosto do Cão.
  A descendência dele foi tratada por Rodrigo Rodrigues em  "Genealogias de São Miguel e Santa Maria", no capítulo 273, onde aparece como FRANCISCO FEIJÓ e não FEYO.



Ele foi casado com Maria Jorge, que faleceu em 1647.
O filho do casal, ROQUE FEYO,  se casou com MARIA REBELO (filha de Braz Machado e Maria Benevides) em 14 de fevereiro de 1643.  
registro de casamento de Roque Feyo e Maria Rebelo

São conhecidos os seguintes filhos do casal ROQUE FEYO E MARIA REBELO: Manoel Rebelo Feio, Luzia de Benevides, Maria Rebelo e Thomé Jorge.

THOMÉ JORGE se casou com ISABEL DE SOUZA, no dia 25/11/1676 em São Roque do Rosto de Cão, Ponta Delgada, Ilha de São Miguel . Isabel era filha de Manoel Correia de Souza e Isabel Alves.
Casamento de Thomé Jorge com Isabel de Souza


Dentre os filhos do casal está ANNA DE SOUZA, que se casou, em 2/07/1704, com DOMINGOS DA COSTA (FARRAPO) 

Casamento de Domingos da Costa Farrapo com Anna de Souza 



 Domingos e Anna tiveram fários filhos dentre os quais  MARIA DE SÃO MIGUEL, que se casou em 27/06/1744 com MANOEL BOTELHO

Dentre os filhos do casal está FELISBERTO, nascido em 10/10/1749.

FELISBERTO passa a assinar FELISBERTO DE MELLO e se casa em  12/05/1768 com ESCOLÁSTICA THEREZA DE JESUS, nascida em 7/10/1750 em São Roque, filha de Manoel Botelho Maiato (Mayato) e Maria Furtado. 
Um dos filhos do casal Felisberto e Escolástica  é CAMILLO JOSÉ BOTELHO, nascido em 18/03/1777.

CAMILO se casa com ANNA FELÍCIA, filha de José Martins Fontes e Antonia do Espirito Santo, por volta de 1800, sendo que um dos filhos do casal FELISBERTO BOTELHO se casa ANA JOAQUINA em 22/11/1832.

FELISBERTO E ANA JOAQUINA são os pais de JACINTHA CANDIDA BOTELHO, nascida em 26/07/1838, que se casou em 19/07/1852 com Joaquim Antonio de Medeiros.

A filha MARIA DAS MERCÊS BOTELHO DE MEDEIROS, nasceu em 21/09/1856. Imigrou para o Brasil onde se casou com o português MANOEL PEREIRA GOMES em Três Rios/RJ no dia 6/11/1871., 



O casal teve onze filhos: ANTONIO (25/09/1874), HENRIQUE (16/05/1878), JOSÉ (6/03/1880), MANOEL (11/02/1882), ELVIRA (20/10/1883), JOÃO ( 24/06/1885), JERÔNIMO (?), MARIA DAS MERCÊS, ALVARO, JOSINO e MERCEDES (falecida aos cinco anos de idade em 1897.

ELVIRA PEREIRA GOMES, uma das filhas, é minha avó materna;


terça-feira, 31 de outubro de 2017

DOMINGOS DE PAIVA (1639 a 1699) Ribeira Grande - Ilha de São Miguel - Açores


DOMINGOS DE PAIVA, um dos meus sétimos avôs, nasceu em Santa Bárbara que é uma freguesia da Ribeira Grande da Ilha de São Miguel, Açores.
Foi batizado, no dia 5 de março de 1639, na igreja de São Pedro da Ribeira Grande. 
Filho de João de Paiva Teixeira e Bárbara Rebelo.
Neto paterno de Gaspar de Paiva e Ana Afonso (falecida em 1623)
Neto materno de Gaspar Rebelo e Isabel Lopes.

Domingos de Paiva viveu toda sua vida na Ribeira Grande  onde casou-se com Isabel Lopes. O casal teve vários filhos entre os quais  DOMINGOS (AFFONSO) DE PAIVA.
Faleceu no dia 6 de fevereiro de 1699 aos 59 anos e foi enterrado em Santa Barbara.    


sábado, 30 de setembro de 2017

A IMPERIAL ORDEM DA ROSA

A Imperial Ordem da Rosa foi uma ordem honorífica brasileira criada por D. Pedro I em 1829. 
Possuía seis diferentes graus :
 - Grão Cruz
- Grande Dignitário
- Dignitário
- Comendador
- Oficial
- Cavaleiro
Foi extinta em 1891.
Após 1870 ocorreu uma grande distribuição de comendas.

Abaixo a notícia publicada no Jornal O PAULISTANO, de 17 de agosto de 1888, sobre a condecoração de FELINTO FLORENTINO DA ROCHA (Filho do Barão de Araruna)


sábado, 15 de julho de 2017

NORMAS SOBRE A ESCRAVIDÃO DOS ÍNDIOS (1534 A 1757)

O impacto da “conquista” europeia sobre a população nativa do continente americano foi muito grande. Até hoje não temos números precisos sobre essa população. Alguns dizem que chegava a 53 milhões de habitantes, considerada a América do Norte, América Central e América do Sul.
No Brasil, a população indígena estimada em 1500 era de mais de 3 milhões de pessoas.
Mesmo não sendo preciso o número de indígenas no início do século XVI, é certo que dezenas de milhares de nativos morreram por causa do contato direto e indireto com os europeus e as doenças trazidas por eles. Outros tantos morreram pela escravidão a que foram submetidos.
Não encontramos muito sobre a escravidão indígena. No Brasil, historicamente,  quando se fala em escravidão está se falando de africanos. Tudo gira em torno dos negros que foram trazidos para cá da África. Se esquecem de  que durante mais de dois séculos e meio existiu a escravidão dos “negros da terra” como era chamado o nativo.
Convém ressaltar que a escravidão só acabou em 1755, quando D José I aprovou a liberdade dos índios do norte, embora só tenha sido divulgada dois anos depois em 1757, ano em que se considera o fim da escravidão indígena, já que escravidão africana durou até 1888.
Durante todo o período da escravidão algumas normas foram editadas:
1)Regimento de Tomé de Souza, de 1548, que proibia a guerra contra tribos amigas.
2) Lei de D. Sebastião, de 1570, proibia captura de índios nos sertões (Essa foi desobedecida, já que até 1700 era comum a captura de índios)
3) Lei de Felipe II, de 1609, libertava todos os índios do Brasil.
4) Retomada da Escravidão em 1611, lei que reconhece o cativeiro de índios aprisionados pelos europeus ou escravos de outros grupos indígenas.
5) Lei de D. José I , de 6 de julho de 1755, que proclamou a liberdade dos índios, e que os cativos fossem imediatamente libertados.   Tal lei só divulgada em 1757, ano que é considerado o fim da escravatura indígena.
Mas é bom lembrar em relação aos aldeamentos indígenas na Paraíba e no Rio Grande do Norte, que estavam sob a autoridade dos religiosos missionários, foram editadas outras normas, como a carta régia de 1705 que mandou que dessem uma légua de terra aos índios para suas aldeias; a resolução de 1729 que ordenou que o governador não consentisse índios fugidos das aldeias nas casas dos moradores e que estes fossem presos e levados para suas aldeias, e que, quem precisasse de seus serviços, requisitassem do missionários os índios necessários, pagando o seu trabalho.
Por fim, no ano de 1735 fori promulgada uma lei determinando que as aldeias que não tivessem oitenta casais se unissem a outras, consignando-lhes terras bastantes para suas lavouras e que se encarregasse o serviço religioso das aldeias não só aos sacerdotes regulares, mas aos clérigos seculares tendo em vista o “miserável estado em que se achavam as missões de índios à falta de missionários” i


domingo, 9 de julho de 2017

FELINTO FLORENTINO DA ROCHA

É sempre bom lembrar que o café foi o responsável pelo enriquecimento de algumas famílias.
O “ciclo do café” é o nome dado ao período da história do Brasil onde o plantio do café era a grande atividade econômica do país, responsável pelo desenvolvimento de algumas regiões, especialmente no Vale do Paraíba (compreendendo os estados do Rio de Janeiro e São Paulo) como em algumas cidades do Brejo Paraibano (Areia e Bananeiras).
O ciclo durou uns cem anos (1830/1930) e, por volta de 1850, já encabeçava a lista de nossos produtos de exportação. Era chamado de “ouro verde”.
Dizem que o café chegou ao Brasil por volta de 1727. No Brejo Paraibano já existiam plantações por volta de 1830, onde a planta encontrou um clima favorável, além de proprietários de terras dispostos a utilizar a mão de obra escrava para o plantio.
Um desses cafeicultores foi Estevão José da Rocha, o “Barão de Araruna”, que a exemplo dos “barões do café” do Vale do Paraíba, fez fortuna com a plantação e comercialização do café (vide postagem no blog) comprando seu título de barão que usufruiu por 3 anos.
Um dos filhos de Estevão foi FELINTO FLORENTINO DA ROCHA (aparece também como PHELINTO FLORENTINO DA ROCHA), nascido em 1837 e falecido em 1913 (76 anos).
Felinto era casado com Úrsula Emília e no inventário constavam os seguintes filhos/herdeiros:
- José Florentino da Rocha, solteiro, 39 anos, residente em Cacimba de Dentro.
- Maria Emília da Rocha Cirne, casada com Célio Colombano da Costa Cirne.
- João Antônio da Rocha, casado.
- Antônio Alves da Rocha, casado.
- Maria Engracia da Rocha, casada com José Antônio Ferreira da Rocha.
- Felinto Florentino da Rocha Filho, casado.
- Luiza Elízia da Rocha, solteira, 28 anos de idade.
- Manoel Florentino da Rocha, solteiro, 20 anos de idade, residente em Currais Novos no Rio Grande do Norte.
- Maria Almerinda da Rocha, solteira, 18 anos.
Imagem: arquivo pessoal
Felinto ficou mais conhecido como COMENDADOR FELINTO, por ter recebido uma comenda da Imperial Ordem da Rosa em agosto de 1888.
Essa ordem existiu de 1829 a 1889 e tinha seis graus: Grão Cruz. Grande Dignitário, Dignitário, Comendador, Oficial e Cavaleiro.
Já no final do império, D. Pedro II usou a ordem para distribuir comendas para incentivar fazendeiros a dar a alforria aos escravos, sendo que a maioria destes fazendeiros eram cafeicultores.
Ao falecer Felinto deixou muitos bens, dentre eles o Engenho Jardim, que fora de seu pai. Nesta propriedade, avaliada em 1913 em 37 contos de réis, além de engenho, casa, existiam 140 mil pés de cafés. Ele também tinha plantações de café em outras propriedades como no Jatobá, onde  existiam quase o mesmo número de pés de café.
Felinto também tinha fazendas de gado, sendo que a maior delas era localizada em Nova Cruz/RN.
Ele exerceu grande poder político na região. Teve grandes desafetos, chegando a sofrer processos criminais como o que teve com José Trajano da Costa.

Sua riqueza era expressiva para o país e era considerado grande produtor e exportador de café.
Fotografia do seu túmulo existente no cemitério de Bananeiras/PB
Imagem: arquivo pessoal