sábado, 15 de julho de 2017

NORMAS SOBRE A ESCRAVIDÃO DOS ÍNDIOS (1534 A 1757)

O impacto da “conquista” europeia sobre a população nativa do continente americano foi muito grande. Até hoje não temos números precisos sobre essa população. Alguns dizem que chegava a 53 milhões de habitantes, considerada a América do Norte, América Central e América do Sul.
No Brasil, a população indígena estimada em 1500 era de mais de 3 milhões de pessoas.
Mesmo não sendo preciso o número de indígenas no início do século XVI, é certo que dezenas de milhares de nativos morreram por causa do contato direto e indireto com os europeus e as doenças trazidas por eles. Outros tantos morreram pela escravidão a que foram submetidos.
Não encontramos muito sobre a escravidão indígena. No Brasil, historicamente,  quando se fala em escravidão está se falando de africanos. Tudo gira em torno dos negros que foram trazidos para cá da África. Se esquecem de  que durante mais de dois séculos e meio existiu a escravidão dos “negros da terra” como era chamado o nativo.
Convém ressaltar que a escravidão só acabou em 1755, quando D José I aprovou a liberdade dos índios do norte, embora só tenha sido divulgada dois anos depois em 1757, ano em que se considera o fim da escravidão indígena, já que escravidão africana durou até 1888.
Durante todo o período da escravidão algumas normas foram editadas:
1)Regimento de Tomé de Souza, de 1548, que proibia a guerra contra tribos amigas.
2) Lei de D. Sebastião, de 1570, proibia captura de índios nos sertões (Essa foi desobedecida, já que até 1700 era comum a captura de índios)
3) Lei de Felipe II, de 1609, libertava todos os índios do Brasil.
4) Retomada da Escravidão em 1611, lei que reconhece o cativeiro de índios aprisionados pelos europeus ou escravos de outros grupos indígenas.
5) Lei de D. José I , de 6 de julho de 1755, que proclamou a liberdade dos índios, e que os cativos fossem imediatamente libertados.   Tal lei só divulgada em 1757, ano que é considerado o fim da escravatura indígena.
Mas é bom lembrar em relação aos aldeamentos indígenas na Paraíba e no Rio Grande do Norte, que estavam sob a autoridade dos religiosos missionários, foram editadas outras normas, como a carta régia de 1705 que mandou que dessem uma légua de terra aos índios para suas aldeias; a resolução de 1729 que ordenou que o governador não consentisse índios fugidos das aldeias nas casas dos moradores e que estes fossem presos e levados para suas aldeias, e que, quem precisasse de seus serviços, requisitassem do missionários os índios necessários, pagando o seu trabalho.
Por fim, no ano de 1735 fori promulgada uma lei determinando que as aldeias que não tivessem oitenta casais se unissem a outras, consignando-lhes terras bastantes para suas lavouras e que se encarregasse o serviço religioso das aldeias não só aos sacerdotes regulares, mas aos clérigos seculares tendo em vista o “miserável estado em que se achavam as missões de índios à falta de missionários” i


domingo, 9 de julho de 2017

FELINTO FLORENTINO DA ROCHA

É sempre bom lembrar que o café foi o responsável pelo enriquecimento de algumas famílias.
O “ciclo do café” é o nome dado ao período da história do Brasil onde o plantio do café era a grande atividade econômica do país, responsável pelo desenvolvimento de algumas regiões, especialmente no Vale do Paraíba (compreendendo os estados do Rio de Janeiro e São Paulo) como em algumas cidades do Brejo Paraibano (Areia e Bananeiras).
O ciclo durou uns cem anos (1830/1930) e, por volta de 1850, já encabeçava a lista de nossos produtos de exportação. Era chamado de “ouro verde”.
Dizem que o café chegou ao Brasil por volta de 1727. No Brejo Paraibano já existiam plantações por volta de 1830, onde a planta encontrou um clima favorável, além de proprietários de terras dispostos a utilizar a mão de obra escrava para o plantio.
Um desses cafeicultores foi Estevão José da Rocha, o “Barão de Araruna”, que a exemplo dos “barões do café” do Vale do Paraíba, fez fortuna com a plantação e comercialização do café (vide postagem no blog) comprando seu título de barão que usufruiu por 3 anos.
Um dos filhos de Estevão foi FELINTO FLORENTINO DA ROCHA (aparece também como PHELINTO FLORENTINO DA ROCHA), nascido em 1837 e falecido em 1913 (76 anos).
Felinto era casado com Úrsula Emília e no inventário constavam os seguintes filhos/herdeiros:
- José Florentino da Rocha, solteiro, 39 anos, residente em Cacimba de Dentro.
- Maria Emília da Rocha Cirne, casada com Célio Colombano da Costa Cirne.
- João Antônio da Rocha, casado.
- Antônio Alves da Rocha, casado.
- Maria Engracia da Rocha, casada com José Antônio Ferreira da Rocha.
- Felinto Florentino da Rocha Filho, casado.
- Luiza Elízia da Rocha, solteira, 28 anos de idade.
- Manoel Florentino da Rocha, solteiro, 20 anos de idade, residente em Currais Novos no Rio Grande do Norte.
- Maria Almerinda da Rocha, solteira, 18 anos.
Imagem: arquivo pessoal
Felinto ficou mais conhecido como COMENDADOR FELINTO, por ter recebido uma comenda da Imperial Ordem da Rosa em agosto de 1888.
Essa ordem existiu de 1829 a 1889 e tinha seis graus: Grão Cruz. Grande Dignitário, Dignitário, Comendador, Oficial e Cavaleiro.
Já no final do império, D. Pedro II usou a ordem para distribuir comendas para incentivar fazendeiros a dar a alforria aos escravos, sendo que a maioria destes fazendeiros eram cafeicultores.
Ao falecer Felinto deixou muitos bens, dentre eles o Engenho Jardim, que fora de seu pai. Nesta propriedade, avaliada em 1913 em 37 contos de réis, além de engenho, casa, existiam 140 mil pés de cafés. Ele também tinha plantações de café em outras propriedades como no Jatobá, onde  existiam quase o mesmo número de pés de café.
Felinto também tinha fazendas de gado, sendo que a maior delas era localizada em Nova Cruz/RN.
Ele exerceu grande poder político na região. Teve grandes desafetos, chegando a sofrer processos criminais como o que teve com José Trajano da Costa.

Sua riqueza era expressiva para o país e era considerado grande produtor e exportador de café.
Fotografia do seu túmulo existente no cemitério de Bananeiras/PB
Imagem: arquivo pessoal

quinta-feira, 6 de julho de 2017

PEDRO PAULINO BORGES (SOLÂNEA/PB)


PEDRO PAULINO BORGES, que também aparece nos registros paroquiais como Pedro José Paulino e Pedro Paulino Borges de Oliveira, viveu na Aldeia (Solânea/PB) local onde provavelmente nasceu. Faleceu no mesmo lugar em 26/01/1903, ocasião em que contava com mais de 70 anos de idade, deixando, além da viúva BERTHOLINA MARIA DA CONCEIÇÃO, filhos, netos e bisnetos.
Pela tradição oral da família PEDRO PAULINO era filho de portugueses. Contudo, não encontrei documento que comprovasse tal afirmação ou sua filiação. Em consequência, impossível estabelecer laços de parentesco com outras pessoas que também ostentavam o sobrenome BORGES na mesma época e lugar (freguesia de Bananeiras/PB meados do século XIX).
Convém ressaltar que, por volta de 1840/1860 em Bananeiras /PB, existiam poucas pessoas com o sobrenome BORGES, sendo se pode constatar nos registros paroquiais que todas elas eram aparentadas entre si. São eles: JOAQUIM FRANCISCO DE BORGES, JOSÉ JOAQUIM BORGES, FRANCISCO PINHEIRO BORGES, MARTINIANO JOSÉ PINHEIRO BORGES e FRANCISCO DE BRITTO BORGES, sendo que pelo menos três desses eram portugueses.
Quanto a PEDRO PAULINO BORGES ele foi casado com BERTHOLINA MARIA DA CONCEIÇÃO nascida por volta de 1840. O casal morou em Olho d’água da Aldeia (Solânea), local onde nasceram seus filhos e onde Pedro Paulino tinha terras.
Após seu falecimento em 1903, foi aberto o inventário, sendo inventariante a viúva BERTHOLINA e constavam como herdeiros os filhos e netos a seguir:
1) MANOEL PAULINO BORGES, aparece como sendo solteiro em 1903, mas não consta a idade. Seu sobrinho homônimo, filho de seu irmão JOAQUIM, (nascido em 1894) se casou em Araruna, onde viveu muitos anos, deixando descendentes naquela localidade.
2) JOÃO PAULINO BORGES, nascido em 26/09/1962 e casado em 08/09/1891 com Maria Damiana da Conceição, pais de Maria (18/07/1898) e Antônio (25/07/1899).
3) JOAQUIM PAULINO BORGES, nascido em 1860, casou-se com ALEXANDRINA DE SOUZA PINTO em 31/03/1891 em Santa Cruz/RN (vide postagem no blog) . O casal teve 8 filhos: Pedro Paulino Pinto (03/03/1893), Manoel Paulino Pinto (1894), Rita Borges (1895), Maria Alexandrina Borges (12/12/1896), Joana Borges (12/02/1898), Isabel Alexandrina Borges (08/09/1902, Adolfo (1907) e Antônio Borges (1908).
Consta da certidão de casamento que os avós de um dos nubentes eram bisavós do outro (impedimento de terceiro grau atingente ao segundo). Fato este que não passa despercebido uma vez que encontramos na Aldeia muitos outros familiares como é o caso de ANTONIO JOSÉ PINTO (filho de Manoel José Pinto) e MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO (neto de Manoel José Pinto).
Após o casamento o casal foi morar na Aldeia, onde Joaquim tinha terra e era comerciante de fumo. Alexandrina morreu na Aldeia em 1909.
4- JOAQUINA MARIA SALOMÉ DE JESUS, casada com Manoel Jesuíno Borges da Fonseca (seu primo). Nascida em 16/02/1865. Esse casal deixou muitos descendentes.
5 – LUCINDA MARIA DA CONCEIÇÃO, viúva. Nascida em 20/12/1863.
6 – JOSÉPHA (JOSEFA) AUGUSTA de Jesus. Viúva. Nascida em 2/8/1865.
7- RITA MARIA DA CONCEIÇÃO. Solteira, Nascida em 1878.
8 – MARIA PAULINA DOS SANTOS PEREIRA, falecida. Filhos:
 8.1- Maria Magdalena de Paiva, casada com Joaquim Manoel da Costa:
 8.2 – Benedicta Romana das Virgens, solteira, 21 anos.
 8.3 - Manoel Raimundo Araújo, 20 anos.
 8.4 - Josepha .... de Jesus, 16 anos e solteira,
 8.5 – Maria Paulina – 18 anos e solteira
 8.6 – Manoel

imagem:arquivo pessoal

No inventário consta que Pedro Paulino Borges, Bertulina e filhos moraram em uma casa de tijolo e telha Aldeia. Em local próximo, em casas separadas, moravam seus filhos JOAQUIM PAULINO BORGES, JOÃO PAULINO BORGES e sua filha LUCINDA.
Pedro deixou 2.500 pés de café produzindo (pequeno produtor de café) e 200 varas de fumo.
No inventário consta que tinha uma dívida com MANOEL PINTO (Manoel Simplício da Silva Pinto- vide postagem no blog) o qual além de vizinho era seu primo.

Interessante notar que alguns membros tanto da família BORGES quanto da família PINTO aparecem como residentes na ALDEIA (Solânea) nos registros paroquiais de Bananeiras a partir da criação da freguesia (1836 em diante), o que significa dizer que aquelas terras foram ocupadas há muito tempo por membros de ambas as famílias das quais descendo.
Convém esclarecer que muitos membros da família BORGES se fixaram também em Araruna e Serraria.
A bem da verdade é preciso esclarecer que existe uma confusão muito grande que começou com as várias interpretações do Mapa de Marcgrave de 1643. As várias aldeias de índios apontadas no mapa deram origem a algumas versões fantasiosas das localizações das aldeias de Tapecura e de Ararambé.
Uma dessas dizia que a aldeia de TAPECURA estaria localizada em Serraria/PB, local onde também teria sido criado o aldeamento de SANTO ANTONIO DA BOA VISTA dos missionários de Santa Tereza e Santo Antônio, o que não é verdade, pois a antiga aldeia de Ararambé ficava localizada na Aldeinha, que embora seja limítrofe ao município de Serraria, fica no município de Solânea.
Por outro lado a aldeia de Tapecura era localizada na região da Aldeia, um pouco mais distante de Serraria.  
Embora o local tenha ficado abandonado por algum tempo voltou a ser habitado quando foram concedidas aquelas terras aos sucurus em 1718.
Mais tarde abrigou também aos canindés e o aldeamento ficou conhecido como ALDEIA DE SANTO ANTONIO DA BOA VISTA em homenagem aos missionários que lá passaram.
Mais de 60 anos durou o aldeamento e nesse período a presença do homem branco se fez notar com um processo de aculturação dos indígenas, que em 1780 foram transferidos para o litoral onde muitos morreram.
Claro que durante o tempo que durou a aldeia muitos foram as uniões entre indígenas e o homem branco, sendo esta a origem de muitas famílias.
Note-se que a Aldeia mantém seu nome até os dias atuais, da mesma forma que a Grota de Santa Tereza e também Aldeinha.

Assim, é legítimo supor que tanto a exploração econômica das terras da Aldeia é antiga o que explica a existência de meus ancestrais naquele local, onde plantaram café e, posteriormente, fumo.

domingo, 25 de junho de 2017

DISPENSAS DE IMPEDIMENTOS POR CONSANGUINIDADE NOS REGISTROS PAROQUIAIS

Geralmente, a leitura de documentos antigos não é fácil, seja pela caligrafia adotada na época em que foram escritos, seja pelos vários termos utilizados.
Nos registros paroquiais os registros são feitos seguindo às determinações eclesiásticas e do Direito Canônico, o que significa dizer que nos matrimônios é necessário saber se existe ou não um vínculo de parentesco entre os cônjuges.

O parentesco pode ser em linha reta ou colateral. No primeiro caso, as pessoas estão umas para as outras como ascendentes ou descendentes (pais e filhos, avós e netos e assim por diante). No segundo caso todas as pessoas procedem de um tronco em comum, sem descenderem uma das outras (primos, sobrinho e tios).
Por consanguinidade quando as pessoas têm o parentesco genético (mãe e filho). Por afinidade, caso em que o parentesco é devido às uniões civis (madrasta e enteado).
Para estabelecer o parentesco é preciso determinar o grau, que é o número de gerações que medeia duas pessoas ou entre uma pessoa e o troco familiar. Os graus de parentesco, na linha colateral, são diferentes no Direito Civil e no Direito Canônico.
Como disse anteriormente, como os registros paroquiais seguem o Direito canônico é necessário compreender as normas de dispensa do impedimento de consanguinidade.
Para exemplificar, consta no registro de casamento de meu quarto avô o seguinte:

Aos dezoito de septembro do anno de mil oitocentos e trinta e nove nesta Matriz em minha presença e das testemunhas Hippólito José d’Oliveira e Joaquim Luiz, cujos proclamas sem impedimentos corridos receberão e matrimônio os contraentes JOAQUIM JOSÉ PÍNTO e IGNÁCIA MARIA DA CONCEIÇÃO, ele filho legítimo de Manoel Jozé Pinto e Anna Joaquina, Ella filha legítima de Antônio de Souza Santos e Francisca Gomes d’Oliveira, naturaes e moradores no Buraco desta freguesia, dispensados do impedimento de terceiro grau de consanguinidade em que se achão ligados e lhes dei as bencções nupciais”.
Mas, o que vem a ser o impedimento de terceiro grau de consanguinidade?
Simples. Quando um dos avós dos cônjuges são irmãos, ou seja, o que vulgarmente se chama de “primos de segundo grau”.

Em outro caso, no casamento de meus bisavós paternos, outro exemplo, como vemos a seguir:
Aos trinta de março de mil oitocentos e noventa e um na fazenda Allivio, nesta freguesia, tendo sido designado no impedimento de 3 grau attingente ao 2 de consanguinidade, garantimos e as testemunhas Antônio Justino de Sousa e José Francisco de Oliveira, recebem em matrimônio os contraentes Joaquim Paulino Borges com Alexandrina Maria do Espírito Santo, ele filho legítimo de Pedro Paulino Borges e Bertholina Maria da Conceição com vinte e quatro anos de idade, natural e morador da freguesia de Bananeiras, ella filha legítima de Emígdio José de Souza e Izabel França de Lima, com dezessete anos, natural e moradora desta freguesia de que para constar assino.”
Terceiro grau atingente ao segundo?
Sim, quando o avô ou avó de um é irmão do pai ou da mãe do outro. Nesse caso um dos nubentes é filho do(a) primo(a).
Essa informação é muito importante, já que na genealogia as ligações familiares nem sempre ficam claras durante as pesquisas.
Todavia, temos que ficar atentos ao pesquisar, pois algumas vezes não há qualquer menção do impedimento. No caso do casamento de meus avós paternos, LUIZ e ISABEL, apesar de existir o mesmo impedimento (terceiro grau atingente ao segundo) nada consta no registro paroquial.

Muitas das vezes os padres usavam 2° grau ou 3° grau, outras das vezes terceiro e segundo. Não importa. O que realmente importa é saber que o parentesco para a Igreja era o seguinte:
1) Segundo grau (2°) atingente ao primeiro (1°)
Nesse caso, menos frequente, quando o tio ou tia se casa com a sobrinha ou sobrinho. Durante todas as minhas pesquisas só achei um caso igual, ao de um tio bisavô que se casou com a sobrinha.

2) Segundo grau (2°)
São os primos. Quando o pai ou a mãe de um nubente é irmão do pai ou da mãe do outro;

3) Segundo grau (2°) duplicado.
Mais difícil de ocorrer, quando os pais de um são irmãos dos pais do outro nubente. É o que chamam de “primos irmãos”.

4) Terceiro grau (3°)
Quando um dos avós de um nubente é irmão do avó ou avó do outro. São os chamados vulgarmente de primos de segundo grau.

5) Terceiro grau (3°) atingente ao segundo (2°)
Como expliquei acima, ocorre quando o avô ou avó de um é irmão do pai ou da mãe do outro.

6) Terceiro grau (3°) duplicado
Quando os avós de um são irmãos dos avós do outro.

Na minha família paterna, em linha reta, quase todos são do mesmo tronco familiar o que facilitou muito encontrar nos registros as dispensas matrimoniais.
Casamentos endogâmicos eram comuns, embora em alguns, como no caso de meus avós paternos, não constar o impedimento.
   

    

sábado, 24 de junho de 2017

MANOEL ALVES TEIXEIRA e JOAQUIM ALVES TEIXEIRA

É bom lembrar que em Bananeiras/PB existiram, na mesma época (1845 em diante) duas pessoas com o mesmo nome (MANOEL ALVES TEIXEIRA), não sendo possível até agora saber o grau de parentesco entre eles.
Um era casado com BERNARDINA MARIA DA CONCEIÇÃO, nascida por volta de 1825, que não pode ser confundida com outra BERNARDINA MARIA DA CONCEIÇÃO, filha de MANOEL JOSÉ PINTO que nasceu em 19/08/1856, e se casou com JOAQUIM ALVES TEIXEIRA por volta de 1872, o qual era filho de outro MANOEL ALVES TEIXEIRA casado com JOSEPHA MARIA DA CONCEIÇÃO.
Este último casal teve muitos filhos e deixou muitos descendentes. O casamento ocorreu antes de 1844, já que a primeira filha do casal Maria Francisca nasceu em 1845. Nessa época, moravam na Aldeia (Solânea) onde havia uma comunidade grande e todos aparentados entre si (famílias PINTO, TEIXEIRA e BORGES) .
Em 1856, Manoel Alves Teixeira já estava morando em Alagoinha e era cafeicultor.
Foi inventariante de seu irmão José Jorge Teixeira, falecido em 1856.
Consta que o inventariado era filho de Joaquim Luiz Teixeira e Margarida da Conceição e fora casado com Faustina Maria da Conceição, todos moradores na Aldeia. Assim, essas também são os pais de Manoel. 
Ao falecer, em 1902, com mais de 80 anos, MANOEL ALVES TEIXEIRA deixou dinheiro, algumas peças de ouro, gado, terras em Alagoinha e terras na Alagoa do Tapuio, além de pés de café, tudo conforme consta no seu inventário.
Seus herdeiros: a sua viúva JOSEPHA, que faleceu em 1907, seus filhos e netos na seguinte ordem que consta do inventário:
1) MARIA FRANCISCA DE JESUS, casada com José Vieira Flores, nascida em 1845.
2) ANNA MARIA DO ESPÍRITO SANTO, casada com Manoel de Souza Cavalcante
3) JOAQUINA MARIA TEIXEIRA, casada.
4) SEBASTIANA MARIA DE LIMA, casada com ANDRÉ BEZERRA DE SENA
 VIEIRA.
5) ANTONIA MARIA DO SACRAMENTO, solteira de 38 anos
6) FRANCISCA LEOPOLDINA DAS NEVES, nascida em 1864, casada com Manoel Gomes dos Santos
7) ROSA MARIA TEIXEIRA, falecida, filha/herdeira JOSEPHA MARIA DA CONCEIÇÃO. Casada com Salustiano José de Souza.
8) FRANCISCA ALVES TEIXEIRA DE LIMA, falecida. Filhos/herdeiros:
a) Amélia Cecília Teixeira Dantas, casada com Ricardo Peixoto Dantas
b) Mizael Alves Chaves, solteiro 25 anos
c) Minervino Alves Teixeira , solteiro 18 anos.

9) JOÃO ALVES TEIXEIRA, falecido, seus filhos herdeiros
a) Manoel Alves Teixeira, casado
b) Antônio Alves Teixeira, solteiro
c) Bernardino Alves Teixeira, solteiro
d) Francisco Alves Teixeira, solteiro
e) Pedro Alves Teixeira, solteiro
f) Joana Maria da Conceição, solteira
g) Alexandrina Maria da Conceição, solteira
h) Maria da Conceição Teixeira, solteira
i) Ana Maria da Conceição, solteira
j) Joaquina Mara da Conceição, solteira

10) ANTONIO ALVES TEIXEIRA, falecido
11) JOAQUIM ALVES TEIXEIRA, casado com BERNARDINA MARIA DA CONCEIÇÃO
Assinaturas de Joaquim Alves Teixeira, João Vieira Flores da Silva, Manoel Alves Teixeira e Mizael Teixeira Chaves 
imagem: arquivo pessoal

Por sua vez JOAQUIM ALVES TEIXEIRA foi inventariante de sua mãe Josepha Maria da conceição, viúva do MANOEL ALVES TEIXEIRA que faleceu em 1907 em Bananeiras/PB.
Herdeiros/filhos:
1) JOAQUIM ALVES TEIXEIRA casado com Bernardina Maria da Conceição (filha de Manoel José Pinto).
2) MARIA FRANCISCA DE JESUS (nascida em 1845), casada com João Vieira Flores da Silva, cujo filho Elias Vieira Flores da Silva se casou com a prima Josefa Maria do Sacramento, filha de Joaquim Alves Teixeira e Bernardina Maria da Conceição.
3) ANNA MARIA DA CONCEIÇÃO, viúva de Manoel de Souza Cavalcante
4) SEBASTIANA MARIA DO ROZÁRIO, casada com André Bezerra de Senna Vieira.
5) ANTONIA MARIA DA CONCEIÇÃO – solteira
6) FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO, casada com Manoel Gomes dos Santos
7) JOSEPHA MARIA DA CONCEIÇÃO, ausente, casada com Salustiano José de Souza (em lugar incerto e não sabido), que foi representada por José Alves Teixeira. Essa Josepha era filha de Rosa Maria Teixeira, falecida , filha da inventariada
8) FRANCISCO ALVES TEIXEIRA, falecido, seus filhos herdeiros:
 a) Amélia Emília Teixeira Dantas, casada com Ricardo Peixoto
 b) Mizael Teixeira Chaves, casado
 c) Minervino Alves Teixeira Chaves, casado

9) JOÃO ALVES TEIXEIRA, falecido, seu filhos herdeiros:
 a) Manoel Alves Teixeira, casado
 b) Antônio Alves Teixeira, solteiro com 31 anos de idade
 c) Bernardino Alves Teixeira, solteiro com 28 anos de idade
 d) Francisco Alves Teixeira, solteiro com 21 anos de idade
 e) Pedro Alves Teixeira, solteiro, com 24 anos de idade.
 f) Joanna Maria da Conceição, solteira, com 30 anos de idade
 g) Alexandrina Maria da Conceição, Ausente
 h) Maria da Conceição Teixeira, casada com Ignácio Vieira da Silva.
 i) Ana Maira da Conceição, com 20 anos de idade.
 j) Joaquina Maria da Conceição, solteira com 24 anos.

10) ANTONIO ALVES TEIXEIRA (nascido em 1858), falecido, seus herdeiros:
 a) Antônio Alves Teixeira, solteiro com 24 anos
 b) Aluísio Alves Teixeira, casado
 c) Maria Augusta de Sena Peixoto, solteira 26 anos

JOSEPHA deixou terras em Alagoinha onde morava em uma casa de tijolo e telhas.

Tinha 480 pés de café produzindo, 562 pés de laranjeiras e 18 pés de jaca. Na propriedade tinha um açude.

domingo, 4 de junho de 2017

MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO

MANOEL SIMPLÍCIO DA SILVA PINTO nasceu em 1871 em Solânea/PB (antiga Moreno).
Era filho de Antonio José Pinto e Joaquina Maria. Neto de Manoel José Pinto e Ana Joaquina.
Se casou,  em 15/11/1898, com Leoncia Francisca do Espírito Santo que era viúva de João Fernandes.
Manoel faleceu aos 66 anos na Aldeia, em 1937, mesmo ano em que foi feito seu inventário. Deixou terras na Aldeia (Solânea) que faziam divisas com as terras de Isidoro Gomes ao nascente, com terras de Luiz Bahia ao poente e aos sul com terras de Pedro Luiz. Nas terras existiam 2 casas de tijolos e telhas e 1 casa de aviamento para fazer farinha. 
Deixou os seguinte filhos:
- João Simplício Pinto
- Antonio Simplício Pinto
- Maria Pinto de Morais, casada com Severino Camello de Morais
- Joana Gomes Pinto, casada com Manoel Galdino Gomes Filho. A filha do casal Alayde, nasceu em 27/02/1931 em Solânea (Olho d'agua seco)
- Josepha Pinto de Senna, casada com José Barbosa de Senna (comerciante na época em Borborema - PB
- Antonia Maria Pinto, falecida, que foi casada com Manoel Camello de Morais (irmão do Severino Camello de Morais, seu cunhado), residente na Baixa Verde no Rio Grande do Norte (acredito que seja no município de Santa Cruz/RN). Os seus filhos eram Juvenal Camello de Morais, na época com 10 anos de idade (nascido em 1927) e José camello de Morais de 7 anos (nascido 1930).
- Luzia Maria Pinto     

terça-feira, 23 de maio de 2017

A OCUPAÇÃO DE TACIMA (PB)

Para entender um pouco sobre os antigos sesmeiros das terras de Tacima temos que retroceder no tempo, até 7 de junho de 1703, quando da concessão da data de sesmaria a Antônio Freire.

Sesmaria 59 (PB) 7/6/1706
Antonio Freire, morador na Tamatanduba, termo da capitania do Rio Grande, diz que possui uma sorte de terras no rio curimataú, a qual com outros sócios alcançou no ano de 1674 do governador que então governava, Ignácio Coelho da Silva, sobre o que teve le suplicante sempre dúvidas com o capitão Affonso de Albuquerque, que vindo a capitania do rio Grande por ordem de S. M, o Desembargador Christóvão Soares Beirão, como juiz das datas e demarcações de terras, o fez citar perante o mesmo ministro para que apresentasse os títulos de terras, respondeu que esses tinham os herdeiros de João de Noralhas, e sendo também citados não acudiram a citação, por cuja causa fazendo-se também vistoria de observação de divisa desta capitania, se achou que a terra sobre que era a contenda nem pertencia aos citados, nem a capitania do Rio Grande, como tudo consta na sentença que juntou em que se declara por devoluta; pelo que pedia três léguas de terras de comprido e uma de largo entre o rio Curimataú Merim e o rio salgado na testada dele suplicante, começando a medir do sul para o norte, a qual já tem povoado sem contradição.”

Esse Antonio Freire seria neto do português Antônio Freire que junto com o cunhado Manuel Rodrigues  teriam recebido, em 30/03/1602, uma sesmaria que começava ao lado da Fortaleza dos Reis Magos e terminava no riacho Primeiro no Rio Grande (do Norte), ou seja, de família que estava arraigada na região há mais de cem anos.
Segundo consta esse Antonio Freire da capitania do Rio Grande do Norte exerceu a função de juiz ordinário em 1687 e pode ser o mesmo Antonio Freire Pessoa que era registrador de gado da capitania. Contudo,  é certo que ele deixou muitos descendentes, dentre os quais o seu neto JOÃO FREIRE CARNEIRO, que em 05 de maio de 1760 aparece como possuidor das terras que chamavam Tacima.

Eis o texto da sesmaria 533 (PB) –  05/05/1760
“sargento-mor João Freire Carneiro, morador em Tamatanduba, distrito da capitania do Rio Grande, diz que possuía uma sorte de terras, a que chamavam Tacima, que houvera por compra a vários herdeiros do defunto Antônio Freire, de que estava de posse a mais de 15, 20 e mais anos e por seus antecessores a 50 e mais anos, havendo alcançado a seu favor sentença de força nova contra Francisco Barbosa Camello que o quis esbulhar em parte da dita terra, e porque só tinha as escrituras de compra queria para seu título data de terra que pegava do Rio Salgado com um quarto de légua para o sul e daí buscando e correndo para o norte com três léguas de comprimento até o rio Curimataú merim e por outro nome Calabouço, e daí até os primeiros providos até se encher das três léguas de cumprido e uma de largo, meia para cada banda, com todas as águas vertentes que se acharem na compreensão da dita terra”.   
João Freire Carneiro  recebeu três concessões: uma no Trairi, em 1711 (RN 0100 ); - uma na Boca da Mata da Campina do Junco, em 1735 (RN 0411) e  uma em terras da Tacima, em 1760 (PB 0533).
 Nas cartas RN 0100, RN 0411, e PB 0533 o sesmeiro constava como morador na capitania do Rio Grande do Norte  sendo que nesta última carta o sesmeiro alegou que morava especificamente em Tamatariduba (Tamatanduba ou Timboatadiba)  distrito da cidade de Natal (atualmente localizado no município de Pedro Velho, onde até pouco tempo existia ruínas de uma capela, construída em 1688).
Registro que na carta PB 0533 o sesmeiro alegou que possuía a ocupação de sargento-mor., já na carta RN 0411 o sesmeiro alegou ser capitão e ser neto de ANTONIO FREIRE (PB 0059)  (Fonte Plataforma SILB).
Tacima foi fazenda de gado durante muito tempo. Lugar também de paragem para descanso do gado que era transportado dos sertões para o litoral.

O início da povoação foi a partir de 1800, quase um século após o início de sua exploração econômica por ANTONIO FREIRE, o qual foi o primeiro sesmeiro..